MAIS QUE MEDALHAS: CHAPECÓ CELEBRA HISTÓRIAS DE SUPERAÇÃO NA ABERTURA DOS PARAJASC

Esporte


A emoção tomou conta da solenidade de abertura da 19ª edição dos Jogos Paradesportivos de Santa Catarina (PARAJASC), realizada na noite desta quarta-feira (19), no Pavilhão III do Parque de Exposições Dr. Valmor Ernesto Lunardi, no bairro Efapi, em Chapecó. Mais do que marcar oficialmente o início da competição, a cerimônia foi uma celebração da vida, da superação, da inclusão e das histórias de atletas que encontraram no esporte uma forma de transformar desafios em conquistas.

A noite reuniu música, arte, homenagens e momentos que emocionaram atletas, familiares, dirigentes e autoridades. O público acompanhou o show da Família Lima e a participação de Jakson Follmann, que interpretou a música “Raridade”. Os alunos da APAE também protagonizaram um dos momentos mais marcantes da noite, levando ao palco uma apresentação artística carregada de significado e mostrando, mais uma vez, que o esporte e a arte são caminhos capazes de romper barreiras.

A acessibilidade esteve presente em todos os detalhes da solenidade, com audiodescrição, intérpretes de Libras e o juramento do atleta em braile, lido pela paratleta Andréia Conceição Duarte, da modalidade de bocha. A cerimônia, coordenada por Jovani Santos, contou ainda com bailarinos, coreografia das bandeiras apresentada pela Soul Move, vídeos e um espetáculo aéreo com tecidos, denominado “Laços que Unem”, da Sou Arte.

Nesta edição, os PARAJASC reúnem mais de 2,2 mil atletas e 506 dirigentes, representando 74 municípios catarinenses. Chapecó, cidade considerada o berço da competição, recebe o evento pela quarta vez e participa com uma delegação de aproximadamente 350 pessoas, sendo 279 paratletas. As disputas começaram no dia 14 e seguem até 23 de agosto.

QUEM CARREGA A HISTÓRIA DOS PARAJASC

Um dos momentos simbólicos da abertura foi a entrada da bandeira de Chapecó, conduzida pela paratleta Amanda Groth. Sua história nos PARAJASC começou em 2014, quando competia no atletismo. Atualmente, Amanda representa o município no xadrez para pessoas com deficiência auditiva e já conquistou medalhas de bronze nas edições de 2024 e 2025.

O Fogo Simbólico foi conduzido pelo paratleta chapecoense Ademir Moro, uma das referências do paradesporto do município. Multicampeão no basquete em cadeira de rodas e no handebol, Ademir é capitão e um dos fundadores do Clube Paradesportivo Falcões do Oeste.

Sua trajetória é marcada por números que traduzem anos de dedicação ao esporte. Nos PARAJASC, conquistou nove títulos e um vice-campeonato no handebol, além de três terceiros lugares no basquete. Também foi campeão brasileiro e bicampeão sul-brasileiro, acumulando 64 conquistas defendendo Chapecó. Individualmente, foi escolhido dez vezes como melhor Ponto Baixo em campeonatos brasileiros e sul-brasileiros e uma vez como artilheiro da categoria.

Ademir entregou o fogo simbólico a Jakson Follmann, que teve a missão de acender a pira dos PARAJASC. Ex-atleta e embaixador da Chapecoense, Follmann também foi homenageado durante a cerimônia. Ele foi um dos seis sobreviventes do acidente aéreo ocorrido em 2016, na Colômbia, e construiu uma nova trajetória após a tragédia, inclusive na música, chegando a vencer o programa Pop Star, da Globo, em 2019.

HOMENAGENS A QUEM AJUDOU A CONSTRUIR ESSA HISTÓRIA

A cerimônia também foi marcada pelo reconhecimento a pessoas que ajudaram a construir a história dos PARAJASC e do esporte em Santa Catarina. Entre os homenageados esteve Leonir Bernardes, conhecido como Léo, músico, entusiasta do esporte e ex-coordenador dos PARAJASC de Chapecó. Receberam a homenagem em nome da família Inês Nair Bernardi, Lauri Bernardi e Eliane Bergamaschi.

Outra homenagem foi dedicada a Mary Neiva Tomasi Breda, servidora pública municipal e estadual, professora e paratleta da modalidade de bocha. Seu irmão, Mário Tomasi, recebeu o reconhecimento em seu nome.

Mário também foi homenageado por sua trajetória como idealizador dos PARAJASC e por atualmente estar à frente da Comissão Central Organizadora. Para conduzir a entrega das homenagens, foram convidados a campeã olímpica do voleibol feminino em Pequim 2008, Marianne Steinbrecher, e o radialista Edson Florão, um dos comunicadores com longa história de cobertura dos PARAJASC.

O presidente da Associação Brasileira de Futebol de Cadeira de Rodas, Marco Pereira, e a vice-presidente, Débora Batista, também participaram da cerimônia. Eles entregaram medalhas ao prefeito de Chapecó, Valmor Scolari, e ao secretário municipal de Esportes e Juventude, Agnaldo Veriato Pereira.

CHAPECÓ REAFIRMA SUA LIGAÇÃO COM O PARADESPORTO

Durante seu pronunciamento, o prefeito Valmor Scolari destacou a parceria entre a Fundação Catarinense de Esportes (Fesporte) e a Prefeitura de Chapecó para a realização da competição e agradeceu o envolvimento da imprensa e das universidades.

“Chapecó se faz grande pelo associativismo. Desejamos sucesso para a nossa delegação, na luta para conquistar o título em casa, e também para as demais delegações, que são muito bem-vindas. Obrigado por estarem aqui e um feliz Parajasc”, afirmou.

O secretário de Esportes e Juventude, Agnaldo Veriato Pereira, lembrou que Chapecó foi o berço da competição, em 2005, e destacou a relação construída entre o município e o paradesporto ao longo das últimas décadas.

“Os PARAJASC estão no DNA dos chapecoenses. Nós ampliamos em mais de 200 atletas nessa edição e esperamos que ela seja um chamamento para que tenhamos mais paratletas”, destacou.

O presidente da Fundação Catarinense de Esportes, Jeferson Ramos Batista, elogiou a estrutura oferecida por Chapecó e a parceria estabelecida com o município.

“Chapecó tem uma estrutura muito boa e um prefeito que gosta do esporte, além de uma sintonia com a Fesporte”, ressaltou.

Representando o Poder Legislativo, o vereador Neuri Mantelli relembrou sua própria trajetória esportiva e a emoção dos anos em que competia nos Jogos Abertos de Santa Catarina, defendendo Chapecó e conquistando medalhas de ouro no handebol.

UMA COMPETIÇÃO QUE VAI ALÉM DO ESPORTE

A abertura reuniu ainda a primeira-dama Mariza Scolari, a presidente da Fundação Catarinense de Educação Especial, Jeane Probst, o coordenador-geral dos PARAJASC, Willian Scheffer Santos, o secretário municipal de Cultura, Fellipe de Quadros, além de outras autoridades e representantes das delegações.

Ao final da solenidade, o presidente da Comissão Central Organizadora, Mário Tomasi, agradeceu as homenagens e destacou o trabalho realizado para receber atletas e dirigentes de todo o Estado.

“Para mim é um presente estar trabalhando na organização dos PARAJASC. Nosso objetivo é dar as melhores condições de alojamentos e praças esportivas. E que vocês levem daqui o nosso coração”, afirmou.

A declaração fez referência ao mascote da competição, o Parajasquinho, representado por um coração. E talvez não exista símbolo melhor para traduzir o que Chapecó vive durante os PARAJASC.

Porque, enquanto os atletas entram em quadra, pista e nos demais espaços de competição em busca de medalhas, carregam consigo algo muito maior: histórias de luta, coragem, persistência e sonhos que não aceitaram ficar pelo caminho.

Até o dia 23 de agosto, Chapecó será palco de milhares de histórias. Algumas terminarão com medalhas no peito. Outras, com novos recordes, amizades e conquistas pessoais. Mas todas terão em comum a mesma mensagem: quando existe oportunidade, determinação e vontade de vencer, nenhum limite é maior do que a capacidade de seguir em frente.

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