Da agricultura familiar às salas de aula, do Direito à política, candidata a deputada federal construiu trajetória marcada pelo trabalho e pela persistência
A história de Edi Folle começa muito antes da política. Está nas raízes de uma família que chegou ao Oeste de Santa Catarina na década de 1930, quando a região ainda era marcada pelo trabalho dos primeiros colonizadores. Seus avós, paternos e maternos, ajudaram a construir essa história a partir da agricultura familiar e do cultivo da erva-mate.
É dessa origem que Edi afirma ter herdado valores que carrega até hoje: simplicidade, resistência e disposição para o trabalho. O chimarrão, presente em sua rotina, tornou-se também uma forma de preservar essa ligação com suas raízes.
A infância, entretanto, foi marcada por desafios. Aos oito anos, enfrentou a separação dos pais. Na adolescência, começou a descobrir os diferentes caminhos que poderia seguir.
Aos 13 anos, decidiu estudar em um colégio de freiras e chegou a cogitar a vida religiosa. Dois anos depois, já havia concluído o segundo grau e obtido formação como técnica em contabilidade. A experiência, porém, revelou que sua realização profissional estaria em outra área.
Com interesse voltado às pessoas e às questões sociais, cursou Serviço Social e, posteriormente, Direito. A partir daí, construiu uma carreira diversificada, atuando como assistente social, professora universitária, conciliadora judicial e assessora jurídica, além de trabalhar em diferentes municípios da região.
A persistência tornou-se uma das marcas de sua trajetória. Edi conta que prestou 57 concursos públicos e conquistou aprovação em nove. Entre seus sonhos profissionais esteve o de tornar-se delegada.
Casada e mãe de duas filhas, encontrou na carreira pública uma forma de colocar sua formação a serviço da sociedade. Mas uma experiência vivida no ambiente de trabalho acabaria provocando uma mudança definitiva em sua trajetória.
Segundo Edi, ela foi humilhada publicamente por uma superiora diante de colegas. O episódio, em vez de fazê-la abandonar a vida pública, despertou a decisão de participar diretamente da política.
Em 2020, candidatou-se a vereadora em Chapecó e terminou como primeira suplente. Posteriormente, assumiu uma função estratégica na administração municipal, na área da habitação, durante a gestão de João Rodrigues.
Na função, participou da implantação de um dos primeiros setores de Regularização Fundiária Urbana (Reurb) do Estado. Segundo Edi, o trabalho desenvolvido pela equipe possibilitou que mais de 3 mil famílias recebessem a escritura de suas casas.
A experiência ampliou sua atuação política e fortaleceu sua presença junto à comunidade. Na eleição seguinte, Edi afirma ter sido a segunda mulher mais votada de Chapecó e da região.
Agora, coloca seu nome à disposição para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Segundo a candidata, o PSD a escolheu para representar Chapecó e o Oeste catarinense na disputa por uma cadeira no Congresso Nacional.
Sua trajetória reúne diferentes capítulos: a menina criada em uma família de agricultores, a estudante que buscou diferentes caminhos, a profissional que construiu carreira no serviço público, a mãe de duas filhas e, finalmente, a mulher que decidiu transformar experiências pessoais em participação política.
Para Edi, a vida foi mostrando, ao longo dos anos, qual caminho deveria seguir. E a frase que resume essa trajetória é também a que encerra sua apresentação:
“Duas portas não eram a mim. Essa aqui é.”
Fonte: Jornal Destaques – jornalista Daniel Prudente




