Com quase 14 mil votos na conta, humorista ajudou o Podemos na disputa pelas sobras eleitorais. MDB, que esperava uma cadeira a mais, terá de recalcular os planos.
Na política catarinense, a matemática eleitoral às vezes rende mais capítulos do que novela das nove. Mas, desta vez, o suspense chegou ao fim: o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) encerrou a disputa judicial sobre o registro de candidatura do humorista e influenciador Bismark Fábio Fugazza, conhecido como Bismark do Canal Hipócritas, do Podemos.
Na manhã desta quinta-feira (15), foi publicada a certidão de trânsito em julgado. Como não houve recurso da Procuradoria Regional Eleitoral ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), encerrou-se a possibilidade de tentar anular, nesse processo, os 13.994 votos recebidos pelo candidato a deputado federal.
E aqui entra a parte em que a calculadora eleitoral ganha protagonismo. Os votos de Bismark ajudaram o Podemos a alcançar os critérios necessários para participar da distribuição das chamadas sobras eleitorais. Resultado: a cadeira continua com Paulinha, eleita deputada federal com 92.598 votos.
Para o MDB, que acompanhava atentamente o caso, a notícia não era exatamente motivo para soltar fogos. O partido alimentava a expectativa de conquistar uma cadeira a mais para Valdir Cobalchini, que recebeu 99.751 votos, mas não conseguiu a reeleição.
Cobalchini afirmou que seguiria buscando, pelos meios legais, uma forma de recuperar o mandato. Entretanto, com o encerramento desse processo no TRE-SC, uma das esperanças da legenda perdeu espaço. Na política, como se vê, ter muitos votos nem sempre significa garantir a cadeira — e, quando entram em cena as sobras eleitorais, cada número pode fazer diferença.
Outro caso também estava no radar do MDB
A legenda ainda acompanhava a situação de Elói Quege, ex-prefeito de Três Barras, que recebeu 27.289 votos, mas foi considerado inelegível pela Justiça Eleitoral. Mesmo que esses votos fossem validados, porém, isso não garantiria automaticamente uma vaga adicional ao partido.
A novela jurídica chegou ao fim
A candidatura de Bismark foi questionada por causa de uma condenação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) por apropriação indébita, em um caso relacionado à comercialização de contêineres federais. Os efeitos da condenação estão suspensos por uma medida cautelar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Com o trânsito em julgado no TRE-SC, a tentativa de anular os votos de Bismark não poderá mais avançar nesse procedimento. A vaga de Paulinha, portanto, fica mantida, mesmo que a medida cautelar relacionada à condenação venha a ser posteriormente revogada.
No fim das contas, a eleição já passou, os votos foram contados e a Justiça Eleitoral encerrou esse capítulo. Para o Podemos, a cadeira continua no lugar; para Paulinha, o mandato segue confirmado; e para o MDB, resta fazer novas contas e avaliar os próximos passos.
Na política, o voto é do eleitor, a conta é da Justiça Eleitoral e a expectativa, às vezes, fica por conta dos partidos.
Fonte: Portal Destaques – Jornalista Daniel Prudente



