
Engenheiro agrônomo, com experiência no setor produtivo e sete mandatos como deputado federal, destaca a importância estratégica do produtor rural, do cooperativismo, da tecnologia e das políticas públicas
A agricultura ocupa posição estratégica na economia brasileira e exerce papel fundamental na segurança alimentar da população. Essa é a avaliação do engenheiro agrônomo Valdir Colatto, que possui uma trajetória de décadas ligada ao setor produtivo, ao cooperativismo e à política nacional, tendo exercido sete mandatos como deputado federal.
Com experiência acumulada na defesa do setor agropecuário, Colatto defende maior valorização do produtor rural e políticas públicas capazes de garantir condições econômicas, técnicas e estruturais para a manutenção da atividade no campo.
Para Colatto, existe uma distância significativa entre a percepção do consumidor urbano e a realidade enfrentada diariamente pelo produtor rural. O alimento encontrado no supermercado é resultado de um processo que começa muito antes da chegada do produto às prateleiras.
“A comida não nasce na prateleira do supermercado.”
A afirmação resume a necessidade, segundo ele, de ampliar a compreensão da sociedade sobre a importância do campo e sobre os diferentes fatores envolvidos na produção de alimentos.
Uma cadeia que começa na propriedade rural
A produção agropecuária envolve uma complexa estrutura de atividades. O processo pode incluir preparação do solo, aquisição de sementes e insumos, plantio, manejo, utilização de tecnologias, controle fitossanitário, colheita, armazenagem, beneficiamento, industrialização, transporte, distribuição e comercialização.
Cada uma dessas etapas movimenta recursos, gera empregos, renda e demanda por serviços especializados.
Por isso, a agricultura não pode ser analisada apenas como uma atividade primária. O setor está conectado à indústria, ao comércio, aos serviços, à logística, ao sistema financeiro, às cooperativas e às empresas de tecnologia.
Segurança alimentar exige produção sustentável
Na avaliação de Colatto, a segurança alimentar está diretamente relacionada à capacidade de o país manter uma produção rural eficiente, competitiva e economicamente sustentável.
A disponibilidade de alimentos depende de propriedades capazes de permanecer produtivas ao longo do tempo. Quando os custos aumentam e a rentabilidade diminui, o produtor reduz investimentos e pode até abandonar a atividade.
O setor também está exposto a fatores externos, como estiagens, excesso de chuvas, granizo, geadas, doenças, pragas e oscilações nos preços de produtos e insumos.
Nesse cenário, instrumentos de política agrícola são fundamentais para reduzir riscos e proporcionar maior previsibilidade aos investimentos realizados no campo.
Agricultura movimenta uma extensa cadeia econômica
A importância da agricultura ultrapassa a produção de alimentos in natura.
O campo fornece matérias-primas para uma ampla variedade de setores industriais, participando das cadeias de alimentos processados, bebidas, biocombustíveis, fibras, medicamentos, cosméticos e diversos outros produtos.
Entre os exemplos citados por Colatto estão a cevada utilizada na produção de cerveja, a cana-de-açúcar empregada em diferentes processos industriais e a uva utilizada na fabricação de vinhos.
Cooperativismo fortalece o produtor
No Oeste de Santa Catarina, o cooperativismo possui papel relevante na organização da produção agropecuária.
As cooperativas oferecem aos produtores serviços como assistência técnica, fornecimento de insumos, recebimento da produção, armazenagem, processamento, industrialização e comercialização.
Essa estrutura permite ampliar a escala econômica das propriedades e facilita o acesso de pequenos e médios produtores a mercados, tecnologias e serviços especializados.
Agregação de valor amplia oportunidades
A transformação da matéria-prima em produtos industrializados aumenta o valor econômico gerado dentro da cadeia produtiva.
Quando a produção rural está integrada a processos de beneficiamento e industrialização, são criadas novas oportunidades de negócios, empregos e geração de renda.
A produção, portanto, não termina na porteira da propriedade. Existe uma estrutura econômica formada por indústria, transporte, armazenagem, comércio, serviços e tecnologia.
Custo de produção é um dos principais desafios
A atividade rural apresenta uma estrutura de custos que envolve sementes, fertilizantes, produtos utilizados no manejo, máquinas, combustível, energia, mão de obra, manutenção, financiamento, transporte e armazenagem.
Além disso, o produtor precisa atender exigências ambientais, sanitárias e regulatórias.
A combinação entre custos elevados, riscos climáticos e oscilações de mercado aumenta a exposição financeira das propriedades.
Por isso, a sustentabilidade econômica do setor depende de condições que permitam ao produtor planejar investimentos, modernizar sua estrutura e obter retorno compatível com os custos da atividade.
Sucessão rural e permanência no campo
A continuidade da produção também está relacionada à sucessão rural.
A permanência das novas gerações no campo depende de oportunidades econômicas, infraestrutura e qualidade de vida. Quando a atividade deixa de ser atrativa financeiramente, aumenta a tendência de migração dos jovens para os centros urbanos.
Na avaliação de Colatto, preservar o produtor rural significa também preservar comunidades, conhecimento técnico, propriedades produtivas e a capacidade de abastecimento.
Produção e preservação ambiental
A atividade agropecuária também está diretamente ligada à conservação dos recursos naturais.
Colatto defende regras claras e segurança jurídica para o produtor, com critérios técnicos que permitam conciliar produção e preservação ambiental.
O produtor depende do solo, da água e das condições ambientais para desenvolver sua atividade. Ao mesmo tempo, precisa cumprir normas relacionadas à preservação da vegetação, dos recursos hídricos e da biodiversidade.
Tecnologia transforma o campo
A agricultura brasileira passou por profundas transformações tecnológicas nas últimas décadas.
Máquinas modernas, agricultura de precisão, melhoramento genético, irrigação, monitoramento de lavouras, conectividade e ferramentas digitais ampliaram a eficiência de diferentes sistemas produtivos.
Para Colatto, o acesso a essas tecnologias precisam ser acompanhadas por assistência técnica, capacitação, crédito e infraestrutura adequada.
Agricultura como estratégia nacional
A agricultura possui influência direta sobre o abastecimento interno, as exportações, a geração de empregos, a balança comercial e o desenvolvimento econômico de municípios e regiões.
Por esse motivo, decisões relacionadas a tributação, meio ambiente, crédito, infraestrutura, legislação e comércio exterior podem afetar diretamente a competitividade do produtor.
A experiência de Colatto, que já exerceu sete mandatos como deputado federal, também está relacionada à atuação em temas de interesse do setor agropecuário e ao debate de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do campo.
Campo e cidade são economicamente interdependentes
A relação entre produtor e consumidor é marcada por uma forte interdependência.
Enquanto o campo produz alimentos e matérias-primas, os centros urbanos concentram grande parte do mercado consumidor e das atividades de industrialização, distribuição e comercialização.
O preço final pago pelo consumidor incorpora os custos de diferentes etapas, desde a produção até a chegada do produto ao comércio.
Compreender essa estrutura é fundamental para qualificar as discussões sobre preços dos alimentos, inflação, políticas agrícolas, sustentabilidade e segurança alimentar.
“Se o agricultor não planta, a cidade não planta”
A mensagem defendida por Valdir Colatto é de que o desenvolvimento do campo possui reflexos diretos sobre toda a sociedade.
Valorizar o produtor rural significa reconhecer a importância de quem está na origem de uma cadeia que movimenta diferentes setores da economia e garante o abastecimento da população.
Com sete mandatos como deputado federal e uma trajetória profissional diretamente ligada à agricultura, Colatto reforça a necessidade de tratar o setor como estratégico para o desenvolvimento brasileiro.
A agricultura, nesse contexto, representa não apenas uma atividade econômica, mas um componente essencial da segurança alimentar, da geração de renda, do desenvolvimento regional e da capacidade produtiva do país.
Garantir condições para que o agricultor continue produzindo significa assegurar a continuidade de uma cadeia econômica que envolve diferentes setores e mantém o abastecimento da população.
Fonte: Daniel Prudente







