
Categoria reage à falta de avanços nas negociações e fecha agências em protesto contra proposta considerada insuficiente
Os bancos continuam entre os setores mais lucrativos da economia brasileira, mas, em Chapecó, quem trabalha dentro das agências decidiu parar. Nesta quinta-feira (20), bancários aderiram à paralisação nacional de 24 horas em reação ao que o sindicato classifica como falta de disposição dos bancos para avançar nas negociações da campanha salarial.
A paralisação ocorre depois de oito rodadas de negociação entre representantes dos trabalhadores e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A categoria rejeitou, em assembleias realizadas em todo o país, a proposta de reajuste salarial escalonado apresentada pela representação patronal.
Em Chapecó, amanheceram fechadas as agências da Caixa Desbravador, Caixa Centro, Caixa Efapi, Banco do Brasil Centro e Itaú Centro. O movimento coloca no centro do debate uma pergunta que incomoda: se os bancos conseguem registrar lucros bilionários, por que os trabalhadores precisam enfrentar tanta resistência para conquistar valorização salarial e melhores condições de trabalho?
Segundo o Sindicato dos Bancários de Chapecó e Região, após oito rodadas de negociação, não houve avanço considerado suficiente nas principais reivindicações da categoria para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
A pressão da paralisação nacional também provocou recuos dos bancos em algumas medidas consideradas intransigentes pelos trabalhadores. Entre elas estavam o congelamento do piso de ingresso para novos bancários e a proposta de reajustes diferenciados conforme a faixa salarial. Apesar dos recuos, a categoria afirma que os bancos ainda não apresentaram um índice de reajuste salarial.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Chapecó e Região, Cesar Valduga, a mobilização é uma resposta direta à postura adotada pelos bancos durante as negociações.
“Estamos mobilizados para pressionar os bancos, que têm agido de má vontade nas negociações. Os bancos lucraram R$ 255 bilhões no ano passado e têm todas as condições de atender às nossas reivindicações por valorização e melhores condições de trabalho”, afirmou.
O contraste entre os números do sistema financeiro e as reivindicações dos trabalhadores é justamente um dos principais argumentos utilizados pelo movimento sindical. De um lado, instituições financeiras com resultados bilionários; de outro, trabalhadores cobrando reajuste, valorização profissional e condições adequadas para exercer suas funções.
A paralisação de 24 horas não encerra as negociações, mas aumenta a pressão sobre a Fenaban. A mensagem dos bancários é direta: sem avanço na mesa de negociação, a mobilização continuará sendo utilizada como instrumento de pressão.
Em Chapecó, o fechamento das agências transforma a disputa trabalhista em uma realidade visível para a população. Mais do que uma porta fechada, o movimento expõe o conflito entre a lucratividade do sistema financeiro e a cobrança dos trabalhadores por uma parcela maior de valorização.







